A recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela não teve como objectivo a restauração da democracia, mas sim o controlo das vastas reservas petrolíferas do país. A afirmação é do engenheiro de Reservatórios e Petróleo, Alves Lampeão, que analisava o conflito no programa Clube de Petróleo da MN TV.
Segundo o especialista, a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, insere-se numa lógica de interesses estratégicos ligados à energia, e não numa missão de carácter político ou humanitário.
Lampeão sustenta que a Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo, tornando-se um alvo central numa disputa global pelo controlo de recursos energéticos.
Para o engenheiro, o discurso da defesa da democracia serve apenas para legitimar uma operação que, na sua essência, representa um “business estratégico” dos Estados Unidos no sector energético.
O analista recordou ainda que cenários semelhantes ocorreram no Afeganistão e na Líbia, onde intervenções externas não resultaram em melhorias significativas nas condições de vida das populações locais.
Esses exemplos, segundo Lampeão, reforçam o cepticismo quanto às verdadeiras motivações por detrás das acções militares promovidas por grandes potências.
Sobre a resposta internacional, o engenheiro considera que instituições como as Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional enfrentam sérias limitações quando confrontadas com a actuação de países com forte peso político e militar.
No que diz respeito às consequências económicas, Lampeão prevê que a CITGO, subsidiária da estatal venezuelana PDVSA nos Estados Unidos, venha a passar para controlo norte-americano.
Apesar disso, o especialista afasta um impacto relevante no preço global do petróleo, bem como a possibilidade de um conflito internacional de grandes proporções.
Na sua análise, eventuais reacções da Rússia e da China deverão restringir-se ao campo diplomático, sem escalada militar directa.
Para Alves Lampeão, a crise venezuelana confirma uma realidade persistente nas relações internacionais: quem controla a energia, controla o poder, colocando em risco a soberania de países ricos em recursos naturais.