Morreu hoje, em Portugal, aos 67 anos, Luísa Dias Diogo, antiga Primeira-Ministra e Ministra do Plano e Finanças de Moçambique, vítima de doença prolongada, segundo informações apuradas pela MNTV.
Nascida a 11 de Abril de 1958, no distrito de Mágoe, província de Tete, Luísa Diogo era licenciada em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane e Mestre em Economia Financeira pela Universidade de Londres. Iniciou a carreira no Ministério das Finanças em 1980, ascendendo a Directora Nacional do Orçamento, e trabalhou no Banco Mundial antes de regressar ao governo.
De 1994 a 2004, supervisionou o primeiro plano de desenvolvimento pós-guerra em Moçambique, centrando-se em crescimento económico, reformas e redução da pobreza. Entre 2004 e 2010, tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra, liderando a reconstrução nacional e o desenvolvimento socioeconómico, sendo reconhecida internacionalmente pela sua liderança e contribuição para o país.
Luísa Diogo recebeu vários prémios e distinções internacionais, incluindo o reconhecimento da Times Magazine como uma das 100 personalidades influentes do mundo e da Forbes como uma das mulheres mais influentes em 2006 e 2007. Em 2007, co-presidiu o Painel de Alto Nível da ONU sobre Coerência Humanitária, Desenvolvimento e Ambiente, e em 2011 integrou o Painel de Alto Nível da ONU sobre Sustentabilidade Global. Em 2008 recebeu o Prémio de Liderança Mundial das Mulheres.
No plano nacional, recebeu do Estado moçambicano a Medalha Eduardo Mondlane, 2.º Grau, e o Prémio do Banco Mundial pelo Plano de Acção de Redução da Pobreza Absoluta.
Após o serviço público, ocupou cargos de topo no sector privado, incluindo a presidência do Conselho de Administração do Barclays Bank (actual Absa Bank) Moçambique e do Parque Industrial de Beluluane, tendo também colaborado com a African Union Foundation, o Clube de Roma e fundado a Rede de Mulheres Ministras e Parlamentares.
Era casada com o advogado António Albano Silva e tinha três filhos. Luísa Diogo é lembrada como uma líder política e económica de referência em Moçambique, com papel central na estabilização e desenvolvimento do país após a guerra civil.