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Moçambique entra no radar dos grandes investidores globais em Abu Dhabi

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Moçambique está a projectar-se como um dos novos gigantes energéticos de África. A mensagem foi levada, esta terça-feira, a Abu Dhabi pelo Presidente da República, Daniel Chapo, perante líderes políticos, fundos de investimento e grandes grupos do sector energético mundial.

À margem da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi, um dos principais palcos globais do investimento em energia, o Chefe do Estado apresentou o país como uma plataforma segura, rentável e estratégica para negócios de grande escala.

No centro do discurso um número chamou a atenção do mercado. 50 biliões de dólares, um volume de investimentos que deverá entrar na economia moçambicana nos próximos anos apenas no sector do gás natural.

Quatro mega-projectos lideram esta corrida. A ENI opera os campos Coral Sul e Coral Norte, em Cabo Delgado, avaliados em cerca de 15 biliões de dólares. A TotalEnergies e a ExxonMobil conduzem outros dois empreendimentos, cada um com investimentos estimados em 20 biliões de dólares.

Para Daniel Chapo, estes projectos colocam Moçambique no mapa das grandes potências energéticas emergentes, num momento em que o mundo procura fontes de gás fiáveis, seguras e de longo prazo.

Mas o país não quer crescer apenas com combustíveis fósseis. O Governo está também a apostar fortemente na energia limpa, ao usar o seu vasto potencial hídrico como pilar da transição energética.

Em Tete, avança o projecto de Mphanda Nkuwa, uma nova barragem com capacidade para 1.500 megawatts, que deverá começar a operar até 2031. A esta soma-se a futura central norte de Cahora Bassa, que acrescentará mais 400 megawatts à rede nacional até 2032.

No sector do gás, Moçambique prepara-se para dar o próximo salto. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos procura parceiros para instalar novas unidades de processamento, com o objectivo de abastecer a crescente procura da África do Sul, Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Eswatini.

Esta estratégia posiciona o país como o principal fornecedor energético da África Austral, reforçando o seu peso económico e geopolítico dentro da SADC.

A geografia joga igualmente a favor de Moçambique. O país dispõe de três grandes corredores logísticos (Maputo, Beira e Nacala) que ligam os mercados do interior africano aos oceanos Índico e Atlântico, criando uma das mais eficientes plataformas de escoamento de energia e mercadorias da região.

Com este pacote de recursos naturais, infra-estruturas e mega-investimentos, Daniel Chapo deixou uma mensagem clara em Abu Dhabi: Moçambique está aberto aos grandes negócios e quer parceiros globais para transformar o seu potencial energético em riqueza, desenvolvimento e liderança regional.

 

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