Mais de metade dos moçambicanos considera negativa a forma como o Governo gere os recursos naturais do país. A conclusão consta da 10.ª ronda do Afrobarometer, divulgada esta quarta-feira, em Maputo, pela CS Research.
Segundo o estudo, 56 por cento dos inquiridos classificam a gestão dos recursos naturais como “razoavelmente má” ou “muito má”. Para Maxwell Odhiambo, representante do Afrobarometer, muitos cidadãos acreditam que os principais beneficiários da exploração dos recursos naturais não são as comunidades locais.
“Quase um terço dos moçambicanos não está satisfeito com a forma como os recursos naturais são geridos. E muitos acreditam que os principais beneficiários são os investidores estrangeiros e grandes empresas”, afirmou.
Os dados mostram ainda que apenas 18 por cento dos cidadãos consideram que a população em geral beneficia directamente da exploração dos recursos naturais. Por outro lado, 29 por cento apontam os investidores estrangeiros como os maiores beneficiários, seguidos do Governo, com 28 por cento, e dos altos responsáveis políticos, com 19 por cento.
A percepção varia de região para região. No Sul do país predominam opiniões que indicam os investidores estrangeiros como principais beneficiários, enquanto no Norte a maioria dos inquiridos aponta o Governo.
Para Wilker Dias, da organização Decide, a inclusão das comunidades no processo de gestão dos recursos naturais deve ser uma prioridade.
“A primeira palavra de ordem tem que ser inclusão. As comunidades não estão incluídas no processo de gestão dos recursos naturais, e isso gera insatisfação e falta de transparência”, defendeu.
Também a Direcção Nacional de Geologia e Minas considera essencial reforçar o acesso à informação para aumentar a confiança pública no sector extractivo.
“O acesso aos dados técnicos é crucial para a governação participativa e pode ajudar a evitar a propagação de informações incorrectas sobre o sector”, afirmou Verónica da Visita, representante da instituição.
O Afrobarometer é uma rede pan-africana de investigação que recolhe dados sobre democracia, governação e qualidade de vida no continente. Os resultados agora divulgados reforçam o debate sobre transparência, participação comunitária e distribuição dos benefícios dos recursos naturais em Moçambique.