O Governo dos Estados Unidos anunciou o cancelamento de dois contratos de arrendamento para projectos de energia eólica offshore, numa decisão que marca uma mudança estratégica no sector energético. Em contrapartida, será canalizado um investimento de 885 milhões de dólares para a área dos combustíveis fósseis.
Os projectos cancelados eram desenvolvidos pela Ocean Winds, uma parceria entre a ENGIE e a EDP Renováveis, e estavam previstos para zonas do Atlântico e do Pacífico. A informação foi avançada pelo portal especializado OE Digital.
A medida segue uma tendência já observada num acordo anterior envolvendo a TotalEnergies, que redireccionou cerca de um bilião de dólares inicialmente destinados a projectos eólicos para investimentos em petróleo e gás.
O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, justificou a decisão afirmando que os trabalhadores norte-americanos não devem continuar a suportar os custos de projectos considerados caros e ineficientes. Segundo o governante, os recursos devem ser aplicados em infra-estruturas energéticas “mais acessíveis e seguras”.
Por outro lado, associações ligadas à indústria da energia eólica offshore manifestaram preocupação com a decisão, alertando para o risco de travar o desenvolvimento de fontes renováveis numa altura em que a procura por electricidade continua a crescer.
Entretanto, a Ocean Winds, em parceria com a BlackRock e a Reventus Power, já anunciou planos para investir em infra-estruturas de gás natural liquefeito. O Departamento do Interior indicou ainda que a Golden State Wind poderá recuperar taxas de arrendamento caso opte por investir em projectos de petróleo e gás.
A decisão evidencia o debate crescente entre a aposta em energias renováveis e o reforço de fontes tradicionais, num contexto global de transição energética e segurança no abastecimento.