O Banco Africano de Desenvolvimento aprovou um financiamento de 150 milhões de dólares para o projecto Coral Norte, uma das maiores infra-estruturas energéticas offshore em desenvolvimento em Moçambique. A decisão, tomada a 14 de Janeiro de 2026, reforça o papel do país como polo estratégico de energia na África Austral.
Liderado pela italiana Eni, o Coral Norte prevê a construção de uma unidade flutuante de liquefação de gás natural com capacidade anual de 3,55 milhões de toneladas de GNL. A plataforma será instalada a cerca de 55 quilómetros da costa da província de Cabo Delgado.
O projecto representa um investimento superior a 7 mil milhões de dólares e contará com financiamento adicional de bancos internacionais e instituições de desenvolvimento. As estimativas apontam para mais de 20 mil milhões de dólares em receitas fiscais ao longo da sua vida útil.
Para além do impacto financeiro, o Coral Norte deverá gerar emprego nas fases de construção e operação. O projecto inclui ainda compromissos de desenvolvimento industrial e energético a nível nacional.
Parte da produção será destinada ao reforço da segurança energética interna, apoiando a geração de energia a gás e a industrialização. O excedente será exportado para mercados regionais.
As exportações para países da SADC deverão fortalecer a integração energética regional. Moçambique posiciona-se, assim, como fornecedor estratégico de gás natural liquefeito.
Especialistas consideram o Coral Norte um marco na transição energética africana, ao combinar exploração de recursos naturais com tecnologia avançada. A experiência do Coral Sul, em operação desde 2022, serve de base técnica para o novo projecto.
Com este financiamento, Moçambique consolida a sua presença no mercado global de GNL, num contexto de crescente procura internacional por fontes de energia mais seguras e diversificadas.