O distrito de Magude, na província de Maputo, acolhe, desde este sábado, o Censo Piloto, uma fase de testes que antecede o V Recenseamento Geral da População e Habitação – Censo 2027.
Durante quinze dias, o Instituto Nacional de Estatística (INE) vai avaliar, no terreno, os procedimentos de recolha de dados, os equipamentos, os sistemas informáticos e os questionários que serão utilizados na operação nacional.
Antes do arranque dos trabalhos, o INE concluiu a formação dos recenseadores, realizada entre 27 e 31 de Julho. Durante cinco dias, os participantes receberam preparação sobre a utilização dos tablets, técnicas de entrevista, métodos de recolha de dados e normas de confidencialidade.
Dos 260 candidatos formados, 217 foram seleccionados para integrar as equipas de recenseamento. Segundo o INE, esta preparação permitiu criar condições para testar a primeira operação censitária totalmente digital do País.
A fase piloto permitirá avaliar o funcionamento dos procedimentos definidos e identificar eventuais melhorias antes da realização do Censo 2027.
Mobilização comunitária
A preparação do Censo Piloto envolveu igualmente as autoridades locais, lideranças comunitárias e residentes de Magude.
No âmbito das acções de sensibilização, técnicos do INE, representantes das autoridades administrativas, líderes comunitários, estudantes e membros das comunidades participaram numa passeata pelas principais zonas do distrito, com o objectivo de divulgar a operação e incentivar a participação da população.
Os residentes garantem estar preparados para receber as equipas de recenseamento e responder às perguntas dos agentes devidamente identificados.
“Estamos felizes com este trabalho do censo, porque é importante sabermos quantos somos. Isso facilita a obtenção de apoio de outros países”, afirmou Gonçalves Chongo, líder comunitário.
Para Rosalina Chaúque, residente de Magude, a população deve colaborar com a iniciativa. “As portas da minha casa estão sempre abertas, pois não é a primeira vez que ouço falar do recenseamento”, disse.
Lucas Mahumane também assegura estar preparado para participar no processo. “Estamos prontos, porque isso não será uma surpresa para nós. O recenseamento existe desde o tempo colonial”, declarou.
Recenseamento totalmente digital
No terreno, os recenseadores já iniciaram as actividades e destacam a utilização dos tablets como uma das principais mudanças desta operação.
“Eu já tenho experiência, pois já uso telemóveis e computadores. É fácil”, explicou Xavier Mahulele, recenseador.
Os agentes reforçam ainda o compromisso com a confidencialidade da informação recolhida junto das famílias.
“Aprendemos que tudo o que encontrarmos dentro das casas que vamos visitar deve permanecer connosco. Toda a informação que registarmos nos tablets deve ser mantida em sigilo e não deve ser partilhada com outras pessoas”, explicou Paulina Ngazane, recenseadora.
O INE apela à colaboração da população, solicitando que as famílias recebam as equipas devidamente identificadas e forneçam informações correctas durante as entrevistas.
O Censo Piloto decorre até 15 de Agosto. Os resultados desta fase serão utilizados para aperfeiçoar os procedimentos antes da realização do V Recenseamento Geral da População e Habitação, previsto para 2027.
A operação pretende garantir maior eficiência, qualidade e segurança na produção de dados estatísticos essenciais para apoiar o planeamento e o desenvolvimento do País.