A multinacional norte-americana ExxonMobil pretende tomar a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) do projecto Rovuma LNG, na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, ainda este ano. A intenção foi transmitida nesta terça-feira, durante uma reunião entre o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o presidente da ExxonMobil para a área de Upstream, em Maputo.
De acordo com uma nota informativa da Presidência da República, o encontro serviu para analisar os próximos passos para a concretização do megaprojecto de gás natural, com ênfase na possibilidade de a petrolífera avançar com a FID em 2026, um marco que desbloqueará o financiamento e o início efectivo da construção.
No final da audiência, a presidente da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, que integrou a delegação da companhia, classificou a reunião como “muito produtiva” e sublinhou que as discussões entre Dan Ammann e o Chefe de Estado incidiram sobre o calendário e as condições para o avanço do empreendimento.
“Foi uma reunião muito produtiva, em que discutimos como vamos avançar com o projecto do Rovuma para termos uma Decisão Final de Investimento este ano”, afirmou Johanna Boothey, citada pela nota oficial.
O projecto Rovuma LNG prevê a construção de duas unidades de liquefacção de gás natural na zona de Afungi, na província de Cabo Delgado, com capacidade para produzir cerca de 15 milhões de toneladas por ano. O gás será extraído da Área 4 da Bacia do Rovuma, operada pela ExxonMobil em parceria com a italiana Eni, a chinesa CNPC, a portuguesa Galp, a sul-coreana KOGAS e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
A decisão final de investimento estava inicialmente prevista para anos anteriores, mas foi sucessivamente adiada devido à instabilidade militar na região, às oscilações dos preços do gás no mercado internacional e às exigências ambientais e financeiras. A melhoria da situação de segurança em Cabo Delgado, com o apoio das forças governamentais e de missões internacionais, tem sido apontada como um factor determinante para o recomeço do optimismo dos investidores.
Além disso, a ExxonMobil e os seus parceiros têm mantido negociações com compradores asiáticos e europeus para contratos de longo prazo, que são essenciais para viabilizar o financiamento do projecto, estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares.
O Presidente Daniel Chapo, tem reiterado o compromisso do seu governo em criar condições estáveis para a atracção de investimento directo estrangeiro, nomeadamente através da garantia de segurança jurídica e da estabilidade social na região norte do país.
A confirmação da FID ainda este ano colocará Moçambique no mapa dos grandes exportadores mundiais de gás natural liquefeito, ao lado de países como os Estados Unidos, o Qatar e a Austrália, com impactos significativos na balança comercial e nas receitas fiscais do Estado moçambicano.