O Banco Africano de Energia iniciou operações com um compromisso inicial de 10 biliões de dólares para financiar projectos de petróleo e gás na Nigéria, Angola e Líbia. A informação foi divulgada pela Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO).
A primeira fase do banco destina-se aos segmentos a montante, intermédio e a jusante da cadeia energética. Os recursos priorizam projectos paralisados e o reforço da segurança energética regional.
O anúncio foi feito por Farid Ghezali, secretário-geral da APPO, durante a 9.ª Cimeira Internacional de Energia da Nigéria 2026.
A Nigéria foi escolhida como sede da instituição por ser o maior produtor de petróleo de África. O banco procura ampliar o financiamento de longo prazo nos sectores do gás natural, refinação e petroquímica.
A plataforma financeira pretende atrair capital internacional em conformidade com critérios ambientais, sociais e de governação (ESG). O plano inclui a criação de um centro regional de comercialização de gás até 2027.
Até 2030, o banco prevê alcançar uma capacidade de financiamento de 212 biliões de dólares. A expansão ocorrerá de forma faseada.
“A África perde valor com a exportação de hidrocarbonetos em bruto”, afirmou Ghezali.
O Banco Africano de Energia resulta de uma parceria entre a APPO e o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank).
A instituição visa reduzir o subinvestimento e os elevados custos de financiamento do sector energético africano.
O banco dispõe de um capital social inicial de 5 biliões de dólares e opera fora do controlo de bancos centrais. A APPO e o Afreximbank detêm a maioria do capital.
Os Estados-membros contribuem por meio de empresas petrolíferas nacionais, fundos soberanos e outras entidades públicas. A iniciativa conta com o apoio de empresas internacionais como a Shell e a Eni.
O mandato inclui o financiamento de projectos de hidrocarbonetos, o comércio energético intra-africano e a transição energética. As operações abrangem países membros e não membros da APPO.
Em 2025, o director-geral da TotalEnergies EP Nigéria, Matthieu Bouyer, afirmou ao The Energy Year que o banco responde a um entrave estrutural. Segundo o executivo, as empresas locais enfrentam dificuldades para reinvestir após o pagamento da dívida.
A APPO é um organismo intergovernamental que reúne países africanos produtores de petróleo. A entidade coordena políticas energéticas e mecanismos de financiamento.