África poderá registar um défice de combustível estimado em 86 milhões de toneladas até 2040, segundo um relatório divulgado pela Africa Finance Corporation (AFC), esta quinta-feira, em Nairobi.
O documento, citado pela África News, revela que o continente continua fortemente dependente das importações, com mais de 70% do combustível refinado a ser adquirido no exterior. Actualmente, África gasta cerca de 14,7 biliões de meticais por ano na importação de bens essenciais, incluindo combustível, alimentos, plásticos, aço e fertilizantes.
De acordo com a AFC, a dependência das importações de combustível deverá aumentar de 74 milhões de toneladas em 2023 para 86 milhões até 2040, agravando a vulnerabilidade energética do continente. A África Oriental é apontada como a região mais exposta, sobretudo face à instabilidade internacional, com destaque para as tensões no Irão, que têm impacto directo nas cadeias de abastecimento.
Citado pela Africanews, o Presidente do Quénia, William Ruto, defendeu a necessidade de reduzir a dependência externa e criticou o actual modelo económico, baseado na exportação de matérias-primas e importação de produtos acabados. O chefe de Estado anunciou ainda investimentos em infra-estruturas, incluindo a construção de 50 barragens e a produção adicional de 10.000 megawatts de energia.
Apesar dos desafios, o relatório aponta oportunidades significativas para o continente. África detém cerca de 80% das reservas mundiais de fosfato, mas é responsável por apenas 20% da produção de fertilizantes, o que revela um potencial ainda por explorar no desenvolvimento industrial e na criação de valor acrescentado.
A AFC conclui que, com políticas adequadas, investimento estratégico e maior capacidade produtiva interna, África poderá reduzir a sua dependência externa e reforçar a segurança energética nas próximas décadas.