A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma redução inédita no consumo mundial de petróleo em 2026, reflexo directo da crise no Oriente Médio. Segundo o relatório mais recente, a demanda deverá atingir 104,26 milhões de barris por dia, ligeiramente abaixo dos 104,34 milhões estimados para 2025.
No trimestre actual, a queda já é significativa, situando-se em 1,5 milhão de barris diários, o maior recuo desde a pandemia da COVID-19, quando o consumo global de combustíveis caiu.
A oferta também sofreu forte impacto. Em Março, a produção mundial caiu para 97 milhões de barris por dia, uma redução de 10,1 milhões. O colapso é atribuído a ataques contra infra-estruturas energéticas na região e às restrições na circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, resultando na maior interrupção do transporte de petróleo da história.
Os países da OPEP+ foram os mais afectados, com uma queda de 9,4 milhões de barris diários, para 42,4 milhões. Já os produtores fora do cartel reduziram a oferta em 770 mil barris, totalizando 54,7 milhões.
A AIE ressalta que a projecção para 2026 depende da retomada gradual das exportações de petróleo e gás do Oriente Médio até meados do ano. Caso o Estreito de Ormuz seja reaberto e as rotas comerciais asseguradas, seriam necessários cerca de dois meses para estabilizar o fluxo de exportações.