Os governos de Moçambique e da Namíbia defenderam a necessidade de criação e reforço de quadros regulatórios mais robustos para a redução das emissões de metano no sector do petróleo e gás. A iniciativa visa conciliar o desenvolvimento energético com os compromissos ambientais assumidos pelos países da região.
A posição foi apresentada esta quarta-feira, 10 de Junho, durante um encontro entre representantes dos dois países, num contexto em que a África Austral procura acelerar a exploração dos seus recursos energéticos sem comprometer os objectivos globais de mitigação das alterações climáticas.
As autoridades destacaram que o metano é um dos gases com efeito de estufa mais potentes, com um impacto significativamente superior ao dióxido de carbono (CO₂) no aquecimento global a curto prazo. Neste sentido, defenderam a implementação de mecanismos que permitam uma monitorização, medição e redução eficaz das fugas e emissões associadas às operações petrolíferas e de gás natural.
Segundo os responsáveis, a adopção de normas claras poderá não só contribuir para a sustentabilidade ambiental, como também reforçar a competitividade dos projectos energéticos da região, numa altura em que investidores e mercados internacionais exigem padrões mais rigorosos de desempenho ambiental, social e de governação (ESG).
Moçambique e Namíbia têm vindo a afirmar-se como destinos estratégicos de investimento no sector dos hidrocarbonetos. Moçambique avança com projectos de gás natural na Bacia do Rovuma, enquanto a Namíbia regista descobertas significativas de petróleo offshore, consideradas entre as mais promissoras do continente africano nos últimos anos.
Os dois governos defenderam ainda o reforço da cooperação regional, com vista à partilha de boas práticas, transferência de conhecimento técnico e harmonização de políticas para enfrentar os desafios associados às emissões de metano e à transição energética.
A iniciativa surge num contexto de crescente pressão internacional para que a indústria de petróleo e gás adopte medidas concretas de redução de emissões, reforçando o papel da regulação como instrumento essencial para uma exploração energética mais sustentável e alinhada com os objectivos climáticos globais.