O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuácua, defendeu, esta quarta-feira, em Maputo, o reforço da ligação entre a ciência e o sector empresarial como forma de garantir a sustentabilidade da investigação científica em Moçambique.
A posição foi apresentada à margem do terceiro encontro da Rede de Agências de Financiamento da Ciência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu durante dois dias, numa instância turística da capital moçambicana.
Para Edson Macuácua, o financiamento da investigação científica não deve ser encarado como uma despesa secundária, mas como um investimento estratégico para a construção de uma economia assente no conhecimento.
“O financiamento não é um luxo. É o investimento para impulsionar uma economia baseada no conhecimento”, sublinhou.
O governante defendeu, por isso, a diversificação das fontes de financiamento, com maior participação do sector privado e de parceiros internacionais.
“Devemos romper com o financiamento exclusivo dos recursos públicos e fortalecer parcerias com blocos internacionais”, afirmou.
Macuácua considerou igualmente necessário que as instituições de ensino superior acompanhem as transformações da sociedade e da economia, adoptando novas abordagens para a produção e aplicação do conhecimento.
“Devemos pensar fora da caixa. As universidades já não são centros de ensino tradicional”, afirmou.
Cooperação científica entre países da CPLP
O encontro permitiu também avaliar os resultados alcançados pela rede de agências de financiamento da ciência dos países da CPLP e discutir novas formas de cooperação.
O director-geral do Fundo Nacional de Investigação (FNI), Florêncio Extermo Maulano, considerou positivo o percurso da iniciativa, destacando a criação de uma plataforma de cooperação científica com resultados que começam a reflectir-se nos países participantes.
Segundo Maulano, o reforço da cooperação entre os Estados-membros deve passar pela partilha de conhecimento, experiências e recursos entre investigadores e instituições.
“Há uma necessidade clara de agregar a cooperação com os países da CPLP, bem como a partilha de conhecimento ao nível dos investigadores”, afirmou.
O responsável defendeu ainda o desenvolvimento de pesquisas conjuntas entre as agências de financiamento, como forma de aprofundar a cooperação científica e fortalecer os laços entre os países da comunidade lusófona.
CPLP procura novas fontes de financiamento
A mobilização de recursos para a ciência, tecnologia e inovação esteve igualmente entre os principais temas do encontro.
Arlinda dos Santos Cabral, especialista sénior em cooperação do Secretariado Executivo da CPLP, considerou o fórum uma oportunidade para a troca de experiências e para a definição de estratégias destinadas à captação de novos financiamentos.
A especialista destacou a importância do ensino superior, da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento socioeconómico dos países da CPLP.
“Todos sabemos a importância do ensino superior, da ciência, da tecnologia e da inovação para o desenvolvimento socioeconómico”, afirmou.
Arlinda Cabral salientou ainda que a cooperação entre as agências permite aos Estados-membros conhecer diferentes modelos de financiamento e identificar oportunidades para mobilizar recursos destinados à investigação científica.
“Permite conhecer as agências de financiamento e as suas estruturas congéneres, e perceber como se mobilizam para identificar o financiamento para a ciência”, concluiu.
Com a realização do encontro em Maputo, a Rede de Agências de Financiamento da Ciência da CPLP reforça o seu papel na promoção da cooperação científica e na procura de soluções conjuntas para o financiamento da investigação, da tecnologia e da inovação no espaço lusófono.