O agravamento do conflito no Oriente Médio poderá levar mais 45 milhões de pessoas à fome aguda em todo o mundo. O alerta é do vice-director-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Carl Skau, que aponta para uma crise alimentar de grande dimensão caso os confrontos se prolonguem até Junho.
A situação, segundo as Nações Unidas, já provoca perturbações significativas nas operações humanitárias globais. As cadeias de abastecimento enfrentam atrasos, enquanto os custos dos alimentos e do transporte registam aumentos expressivos. Este cenário limita a capacidade de resposta das organizações no terreno.
O aumento do preço dos combustíveis reduz os recursos disponíveis para a aquisição e distribuição de alimentos. Como consequência, o PMA já cortou rações no Sudão. No Afeganistão, apenas uma em cada quatro crianças com desnutrição grave recebe assistência.
A crise afecta também o mercado internacional de fertilizantes, numa fase crítica para a agricultura na África Subsaariana. Cerca de um quarto do fornecimento mundial passa pelo Estreito de Ormuz, actualmente afectado pela instabilidade na região.
As Nações Unidas alertam que a subida dos preços dos alimentos e da energia poderá deixar milhões de famílias sem acesso a bens essenciais, sobretudo em países dependentes de importações.
No Líbano, a situação humanitária agrava-se. A interrupção das ligações aéreas dificulta a chegada de ajuda internacional. Mais de 132 mil pessoas encontram-se em centros de acolhimento, enquanto o número total de deslocados poderá ultrapassar um milhão, o equivalente a cerca de 20% da população.
Perante este cenário, a ONU apela ao fim imediato do conflito e ao respeito pelas resoluções do Conselho de Segurança, para evitar o agravamento de uma crise alimentar global.