O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu, esta terça-feira, que Moçambique enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis. O cenário terá forçado o Governo a cortar despesas com bens, serviços e projectos de capital em 2025, ano em que a economia deverá ter crescido apenas 0,5%.
Segundo o FMI, o País registou em 2025 um crescimento de apenas 0,5% e um défice de 4,5% do PIB, face aos 6,2% registados em 2024. A redução deveu-se sobretudo à contenção das despesas públicas, numa altura em que o Governo cortou gastos com bens, serviços e projectos de capital.
O relatório da consulta ao abrigo do Artigo IV, aprovado pelo conselho executivo do FMI e citado pela agência Lusa, aponta atrasos no serviço da dívida e a estagnação da detenção de títulos públicos pelos bancos nacionais, que continuam a ser a principal fonte de financiamento do Estado.
O FMI alerta que o financiamento externo líquido tem sido negativo, mantendo Moçambique num ambiente macroeconómico complexo, caracterizado por crescimento moderado, vulnerabilidades orçamentais e da dívida, e diminuição da ajuda externa.
Após um crescimento de 5,4% em 2023 e de 2,1% em 2024, a economia registou em 2025 apenas 0,5%, depois da desaceleração no final de 2024, associada à agitação pós-eleitoral que se seguiu às eleições de Outubro.