O megaprojecto Mozambique LNG retomou oficialmente, esta quinta-feira, as operações em Afungi, Cabo Delgado, após quase cinco anos de suspensão provocada por ataques terroristas. A TotalEnergies declarou encerrado o período de “force majeure” e prometeu uma “aceleração massiva” das actividades nos próximos meses.
O investimento de 20 biliões de dólares (cerca de 1,2 trilhões de meticais) deverá gerar 35 biliões de dólares em receitas fiscais e contributivas para os cofres do Estado ao longo de 25 anos, segundo anunciou o Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia de relançamento do projecto, que contou com a presença do director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné.
“Hoje é um dia de celebração para Moçambique, para África e para o mundo. a vitória da resiliência, da coragem e da determinação do povo moçambicano face às adversidades”, disse Chapo.
Durante a fase de construção, o projecto prevê a criação de 17 mil postos de trabalho, dos quais mais de 4 mil já estão activos, sendo aproximadamente 80% ocupados por cidadãos moçambicanos, de acordo com dados oficiais.
A TotalEnergies revelou ter já formado 4.500 trabalhadores para integrar o empreendimento, incluindo 1.500 jovens em formação no distrito de Palma, nas áreas de carpintaria, electricidade e outras especialidades técnicas necessárias à construção da unidade de liquefacção.
O Mozambique LNG terá capacidade para produzir 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano a partir da bacia offshore do Rovuma, com início das exportações previsto para 2029.
Patrick Pouyanné confirmou que o consórcio já mobilizou o primeiro navio offshore para iniciar a instalação das infra-estruturas marítimas, sublinhando que o objectivo é garantir a entrega do gás natural liquefeito dentro do prazo estabelecido.
“A force majeure terminou. Como disse o Presidente, é tempo de trabalhar. Vamos assistir a uma aceleração massiva das actividades nos próximos meses”, declarou o responsável da multinacional francesa.
Apesar da retoma, continuam em curso negociações sobre custos adicionais resultantes do período de suspensão. Em Outubro de 2024, a TotalEnergies estimou um aumento de 4,5 biliões nos custos do projecto, equivalente a mais de 22% do investimento inicial.
Daniel Chapo garantiu que as partes irão negociar os valores revistos após a conclusão de uma auditoria, assegurando que “o reinício é uma realidade e as negociações não impedem o progresso do projecto”.
Pouyanné confirmou que a empresa já beneficiou de uma extensão automática da licença para acomodar o atraso de quase cinco anos, acrescentando que “estas questões serão resolvidas de acordo com os contratos e o Estado de direito”.
Daniel Chapo anunciou ainda que o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, deverá arrancar num horizonte de 12 a 18 meses, partilhando infra-estruturas com o Mozambique LNG e reforçando o potencial de transformação económica do sector do gás em Moçambique.
A multinacional francesa anunciou igualmente um apoio financeiro de 200 milhões de meticais (cerca de US$ 3,2 milhões) para apoiar o Governo na resposta aos impactos das cheias que afectaram várias regiões do País nas últimas semanas.
A retoma do projecto ocorre após melhorias significativas nas condições de segurança em Cabo Delgado, particularmente na zona de Afungi, após o destacamento de forças do Ruanda, embora a ameaça extremista ainda persista noutras áreas da província.
O consórcio Mozambique LNG é liderado pela TotalEnergies, que detém 26,5%, seguida da japonesa Mitsui, com 20%, e da moçambicana ENH, com 15%. As indianas Bharat Petroleum, Oil India e ONGC Videsh possuem 10% cada, enquanto a tailandesa PTTEP detém os restantes 8,5%.