A selecção nacional de futebol, os Mambas, conquistou quatro pontos nas duas primeiras jornadas da fase de qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN-2027). Com este registo, a equipa assume a liderança partilhada do Grupo J.
Esta posição cimeira surge após o empate tangencial (1-1) frente ao poderoso Senegal, na passada sexta-feira. Logo a seguir, ontem, terça-feira, os comandados de Chiquinho Conde assinalaram uma exibição de “gala”, ao golearem o Sudão por 4-1, no Estádio Nacional do Zimpeto.
Estes resultados colocam Moçambique numa posição privilegiada. Contudo, o equilíbrio do grupo promete testar a consistência da equipa nos próximos embates contra a Etiópia.
Olhando para o percurso imediato, a recepção ao Senegal, actual campeão africano e crónico favorito, adivinhava-se como o teste de fogo deste Grupo J. A selecção moçambicana bateu-se de igual para igual. Os Mambas travaram o favoritismo dos leões de Teranga com um empate que soube a vitória. O resultado injectou altos índices de confiança no balneário.
A confirmação desse bom momento não tardou. Quatro dias depois, perante um Sudão que vinha moralizado, Moçambique assinou uma nova exibição de luxo. Desta vez, a exibição traduziu-se numa goleada inequívoca.
Com estes parciais, os Mambas somam agora quatro pontos. É a mesma pontuação do Senegal, que venceu a Etiópia por 1-0. Moçambique leva vantagem no número de golos, o que lhe confere o estatuto de líder do grupo. O Sudão segue em terceiro com três pontos, enquanto a Etiópia é lanterna-vermelha, com zero pontos.
Fazendo uma análise aos adversários e ao xadrez do grupo J, o desenho actual espelha uma competitividade acesa. Cada detalhe será crucial para garantir o passaporte para o CAN-2027.
O Senegal continua a ser o rival mais temível. A equipa consentiu o empate em Maputo e sentiu dificuldades para vencer a Etiópia pela margem mínima. Ainda assim, a densidade competitiva das suas estrelas internacionais faz prever que os senegaleses venham a recuperar o fulgor. O ponto conquistado frente a este colosso foi um “bónus” estratégico de valor incalculável para Moçambique.
Por sua vez, o Sudão demonstrou ser uma selecção perigosa e pragmática. Os sudaneses são capazes de lutar pelos lugares de qualificação, como atestam os três pontos que já amealharam. A pesada derrota sofrida no Zimpeto poderá obrigar a equipa a uma postura mais agressiva em Cartum. Isso tornará o jogo da segunda volta num terreno hostil para os Mambas.
Já a Etiópia ocupa a última posição e continua sem somar qualquer ponto. Apesar disso, vendeu cara a derrota diante do Senegal. É uma equipa tecnicamente organizada. Quando joga em casa, costuma criar sérios problemas aos blocos defensivos adversários.
Precisamente, os próximos capítulos desta caminhada reservam uma jornada dupla decisiva contra a Etiópia. No papel, os Mambas assumem o favoritismo teórico. A selecção está galvanizada pela eficácia ofensiva demonstrada frente ao Sudão. Contudo, o excesso de confiança poderá ser o maior inimigo da equipa nacional.
Para consolidar esta liderança e dar um passo gigante rumo à fase final, Moçambique terá de abordar o duplo confronto com os etíopes com o mesmo rigor táctico exibido perante o Senegal. Obter a totalidade dos pontos (seis) nestes desafios isolará os Mambas na linha da frente. Além disso, gerará uma margem de manobra confortável antes das difíceis deslocações a Dakar e ao reduto sudanês. O sonho do CAN- 2027 começou a desenhar-se com contornos de realismo. A maturidade competitiva da equipa será, de agora em diante, o verdadeiro fiel da balança.