O antigo presidente de República, Joaquim Chissano, afirma que o país falha ao considerar que a reconciliação se limita apenas ao Governo e à oposição. Mais do que isso, o ex-estadista sugere maior concentração nas estratégias de erradicação do terrorismo em Cabo Delgado.
Decorre, desde quinta-feira, em Maputo, a Conferência sobre Arquitetura da Paz em Moçambique, com foco no terrorismo em Cabo Delgado. No seu discurso, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, destacou a necessidade de incluir de todos os moçambicanos nos processos de restauração da paz.
“um processo de conhecimento, de aproximação para formarmos um todo. Não é fácil, não é fácil, mas é possível e vamos conseguir”, disse Chissano.
O ex-estadista avançou ainda que a guerra dos 16 anos foi de desestabilização.
“Não é para ofender a Renamo porque nós sabemos como tudo começou. Foi antes de haver Renamo, foi antes de haver independência e tudo tratava -se de desestabilização. E era esse o objectivo. O Apartheid. Jan Smith e o seu partido não queriam ver um mau exemplo à sua porta. Moçambique seria um mau exemplo se os negros, apoiados por alguns brancos apenas, pudessem levar a cabo a governação deste país com sucesso”, sustentou o antigo Estadista.
Sobre o terrorismo em Cabo Delgado, Joaquim Chissano não descarta a possibilidade de estar ligado ao recursos naturais, mas avança que a conclusão é razoável pelas circustâcias dos eventos nas zonas sob ataque.
“O terrorismo, é preciso que haja uma Uma situação psicológica para qualquer coisa na cabeça da pessoa que tenha a coragem de cortejar uma pessoa, uma outra pessoa. Qual é a razão disso? Mesmo dizer que há má governação. pode ser. Nunca sabemos como as coisas vão. Mas prontos, eu apelo que continue a haver a investigação. E não haver cortamatos, mas que se encontre realmente a coisa que possa ajudar a criar condições para dizermos o que é preciso fazer então. Se a causa é esta. A causa é esta, tanto o diagnóstico está feito, os remédios vão ser mais fáceis”, afirmou Joaquim Chissano.
A Conferência sobre Arquitetura da Paz em Moçambique é organizada pelo Contro de Diálogo Ka-Ndzualo e conta com participação de diferentes intervenientes, com destaque para sociedade civil, Governo e diplomatas.